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sábado, 2 de janeiro de 2016

Término

[Por R.Oestreich]

Aquela era uma linda visão. Do olhar pela fresta do abre e fecha da porta, lá eu a encontrava. Achei que estava delirando pelo mormaço de Porto Alegre ou sonhando, quem sabe. Não sei, acho que fiquei apaixonado.

Era quente, mas não quente o suficiente para o meu amor por ela. Tinha curvas que não eram uniformes, mas eram as que eu mais desejava durante o dia. Muitas vezes brigamos por nada, talvez eu fosse ciumento e quisesse a atenção dela só para mim durante o dia; e que, quando eu chegasse, ela estivesse ali cheia de amor pra mim.

Às vezes, tento me relacionar com outra durante a noite para tentar esquecer a do dia. Mas a da noite tá sempre quente, não me deixa dormir, e gosta de queimar meus dedos.

Acho que esse amor tá me matando. Que amor é esse que nós temos que sofrer com a saudade, ciúmes e falta de palavras? Não lembro ao certo de quando começou nossa história de amor, mas me lembro de que me fiz de difícil, que não aceitava gostar de ti.

Agora já é tarde, não têm volta. Podemos ser amigos ainda e, quem sabe, nos ver às vezes. Mas não te desejo mais como antes. Terminar essa relação é o melhor pra nós dois. Eu vou me lembrar de ti para sempre, e dos momentos que passamos juntos. Sinto muito por isso ter terminado assim, mas quero que tu saibas que o problema não é você: sou eu. Tenho que experimentar novos sabores na vida.

Adeus. Sempre vou te amar.
Minha linda e amarga cafeteira.

 


[O libriano Oestreich é meu amigo, 
colega de filosofia geográfico-europeia, 
e ‘alguns por centos’ responsável 
pelo meu vício inconsequente em cafeína.]